• Lilian Donatti

Pacientes com endometriose que utilizam estratégias positivas de enfrentamento apresentam menos dep


Minha pesquisa de mestrado teve como objetivo observar a correlação entre estratégias de enfrentamento, depressão, níveis de estresse e percepção de dor em pacientes com endometriose. Foi um estudo prospectivo e exploratório, com abordagem metodológica quantitativa. A pesquisa foi aprovada pelos Comitês de Ética da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Os dados foram coletados entre abril e agosto de 2014, no ambulatório do setor de endometriose do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital das Clínicas. Os critérios de inclusão foram mulheres com idade entre 18 e 45 anos, com imagem sugestiva de lesão de endometriose por meio da ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal ou ressonância magnética de pelve, realizada no Hospital das Clínicas por equipe especializada, que concordaram em participar da pesquisa e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Os critérios de exclusão foram erros no preenchimento dos questionários e prontuários incompletos. Durante o período de estudo, foram atendidas 523 pacientes no ambulatório de endometriose. Destas, foram selecionadas 191 pelos critérios de inclusão, as quais responderam os questionários, e após aplicados os critérios de exclusão, 171 pacientes foram incluídas no estudo. Os sintomas típicos relacionados à presença da doença (dismenorreia, dor pélvica crônica, dispareunia de profundidade, alteração intestinal cíclica, alteração urinária cíclica e infertilidade) foram graduados de zero a 10, através da Escala Visual Analógica (EVA). A intensidade da dor foi classificada de leve (1 a 3 pontos), moderada (4 a 7 pontos) ou severa (8 a 10 pontos). O tipo de endometriose foi classificado como superficial (quando identificadas apenas lesões com infiltração menor que 5mm do peritônio), ovariana (na presença da endometriose cística ovariana e ausência de lesão profunda) ou profunda (lesões com infiltração maior que 5mm). A seguir, foram aplicados os questionários COPE Breve, Inventário de Depressão de Beck (BDI - Beck Depression Inventory) e Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp (ISSL). Como principais resultados desta pesquisa, observou-se que as pacientes com endometriose que utilizaram estratégias positivas de enfrentamento apresentaram melhor adaptação ao estresse e menos depressão. A presença e a intensidade da depressão, do estresse e da dor pélvica estiveram diretamente associadas. A intensidade da dismenorreia foi associada com o grau de depressão, enquanto a intensidade da dor pélvica acíclica esteve associada com o grau de depressão, nível de estresse e tipo de estresse. Como conclusão foi possível constatar que houve associação positiva entre coping, níveis de depressão, tipo e níveis de estresse e intensidade da dor nas pacientes com endometriose. Assim, entendemos que a utilização de estratégias de coping desadaptativa focada na emoção está correlacionada com o aumento da depressão e do estresse nas mulheres com endometriose.

Está em andamento uma nova pesquisa onde, utilizando-se da abordagem cognitivo-comportamental, está sendo construído um protocolo de atendimento às mulheres com endometriose com o intuito desenvolver o coping adaptativo, ou seja, uma melhor forma de enfrentamento da doença, pois entende-se que, através de um enfrentamento positivo, os escores de depressão, stress e dor tendem a melhorar, trazendo para estas pacientes uma melhor qualidade de vida.

O artigo completo pode ser visto em: Donatti L, Ramos DG, Andres MP, Passman LJ, Podgaec S. Pacientes com endometriose que utilizam estratégias positivas de enfrentamento apresentam menos depressão, estresse e dor pélvica. Revista Einstein 2017;15(1):65-70 DOI: 10.1590/S1679-45082017AO3911


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